nossa-visao-img

NOSSA VISÃO - 19/10/2020

RETROSPECTIVA

Semana novamente marcada pela aversão dos investidores, diminuindo as expectativas sobre os pacotes fiscais nos Estados Unidos e em outros países, principalmente na Europa. Segue também as preocupações com o aumento do contágio do Covid-19, colocando em pauta as discussões sobre uma possível nova onda.

No cenário externo, o corona-vírus não tem dado trégua, atingindo diferentes países e regiões, em especial a Europa com medidas implantadas pela França com o toque de recolher, o fechamento de bares e novas medidas de restrição e contato social na Inglaterra e com Madri ainda sofrendo os impactos da nova onda, por lá foram impostas medidas de restrições pelo governo ao declarar estado de emergência na capital e região.

Há novos casos surgindo na Holanda e na Índia, reforçando a ideia de que novas ondas ainda são possíveis, porém a boa notícia é que a Pfizer, Inc.  empresa farmacêutica multinacional com sede em Nova Iorque, Estados Unidos, pode solicitar o uso emergencial da vacina para combater a pandemia e disponibilização em massa. 

Dito isso, novas previsões econômicas tendem a vir piores que as anteriores em relação a recuperação econômica e impactando a precificação dos ativos de risco pelo mundo, além disso, o FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou estímulos fiscais para manter a recuperação econômica para os países que tiverem folga fiscal, porem tal declaração e medida deve influenciar até os que não possuem. 

O FMI divulgou suas novas projeções para a economia, com o PIB global encolhendo (4,4%). Os países desenvolvidos devem retrair 5,8% e os emergentes retrair 5,2%. A China cresce 1,9% em 2020 e deve crescer 8,2% em 2021, sendo um ponto fora da curva. Os EUA devem ter queda do PIB de 4,3%, a zona do euro com contração de 8,3% e o Brasil com -5,8%.

Nos Estados Unidos, o FED voltou a declarar de que um pacote fiscal é essencial para os estados unidos manter sua economia aquecida, falaram ainda que se não houver os estímulos fiscais a economia americana vai desacelerar. Já Trump diz estar pronto para assinar o pacote ainda antes das eleições em 3/11, mesmo parecendo difícil de acontecer. 

Na Alemanha, a deflação medida pelo CPI de setembro com 0,2%, tanto no mês, como na anual. O índice Zew que mede expectativas econômicas dos agentes alemães, caíram para 56,1 pontos, dada a previsão de ficar em 74 pontos, significando perda de otimismo. O IFO (Instituto de Pesquisa Econômica) ampliou a previsão de queda do PIB para 5,4%, de anterior em -4,2%. Na zona do euro, a deflação pelo CPI de setembro registrou -0,3%.

Na China, a inflação pelo CPI (consumidor) de setembro anualizada, em queda para 1,7% (anterior em 2,4% e deflação no PPI (Índice de Preços ao Produtor - atacado) de 2,1%). Por lá, o saldo da balança comercial mostrou superávit de US$ 37 bilhões em setembro, muito inferior ao do mês anterior de US$ 58,9 bilhões. A expectativa é de que a China deve crescer 1,9% em 2020 de acordo com as suas próprias previsões e as do FMI.  

Por aqui, sem muitas novidades, o Congresso Nacional vai engessando suas atividades em detrimento da proximidade das eleições, principalmente em relação aos temas mais sensíveis aos eleitores. Mas Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, falou sobre a impossibilidade de aprovar o orçamento de 2021, sem votar a PEC da emergência. 

O ministro Paulo Guedes não falou muito durante a semana, deu apenas algumas declarações sobre a "CPMF" das transações digitais dizendo poderia desistir do imposto que contribuiu para a estabilidade do mercado, que segue lateralizando. Resta apenas saber da onde sairão os recursos para formar o programa Renda Cidadã. 


RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções saíram de 2,47% para 2,65%. Para 2021, a previsão para o IPCA ficou em 3,02%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de menos 5,03% para menos 5% para este ano. Para 2021, a estimativa saiu de 3,50% para 3,47%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 2023.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar saiu de R$5,30 para R$5,35 este ano. Para 2021, a projeção saiu de R$5,00 para R$5,10. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e saiu de R$4,80 para R$4,90 em 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, os analistas também deixaram as projeções em 2,50%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e ficou em 5,50% para 2023.



PERSPECTIVA 

O que se espera para as próximas semanas é o desenrolar dos acontecimentos das semanas anteriores, prometendo não ter nenhum fator novo que possa mudar o comportamento dos mercados em âmbito nacional. 

O radar segue apontado para a evolução do COVID-19 ao redor do mundo obrigando medidas de restrição social, interferindo diretamente na precificação dos ativos de risco e para o desenrolar do pacote fiscal prometido pelos Estados Unidos, que provavelmente sairá após as eleições, mas que pode sair antes devido a Trump, que expos vontade em uma aprovação mais rápida. 

Segue preocupando os efeitos do "lockdown" na cidade de Madri em estado de emergência decretado e outros países como França e Inglaterra também tendo que conviver com o surgimento de novos casos, frutos de uma nova onda de contaminação. 

Por aqui, a vacina desenvolvida por nos em parceria com a China, tem obtido ótimos resultados e promete que a eficácia do imunizante deve ser comprovada até dezembro de 2020.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada. 

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas do mercado seguem as mesmas, não enxergando espaço para uma queda brusca e esperando algum gatilho advindo das medidas do governo para um posicionamento mais forte nos ativos de risco. 

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e ocorreu em setembro, foram as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas. 

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional - Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, mantemos a estratégia de alocação em 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 15%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em "quarentena" esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.



* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diários - 16/10/2020



Índices de Referência - Setembro/2020


Ir para o topo da página