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NOSSA VISÃO - 09/12/2019

Retrospectiva

Após dias de forte volatilidade nas bolsas mundiais, devido às idas e vindas ao avanço do acordo comercial entre EUA e China, a maioria dos mercados encerrou a semana no azul.

No início da semana o presidente Donald Trump manifestou desprezo ao acordo comercial, ao declarar que não seria de todo ruim esperar até depois das eleições americanas em 2020 para firmar o pacto, num gesto claramente populista em meio ao processo de impeachment que tramita na Câmara dos Deputados. Trump também disparou sua artilharia contra o Brasil e Argentina, ao ameaçar taxar o aço e o alumínio em represália à desvalorização das moedas locais frente ao dólar. A França também não foi poupada, após Donald Trump ameaçar com imposição de tarifas de 100% sobre importações francesas em retaliação por impostos sobre empresas de tecnologia norte-americanas. São ações claramente eleitoreiras, visando angariar simpatia dos americanos em meio às pressões pré-eleitorais.

Em novembro, a atividade norte-americana deu sinais de moderação, conforme divulgou o Instituto para a Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês). O índice calculado para o setor de serviços recuou a 53,9 pontos, ante 54,7 pontos em outubro, indicando desaceleração no ritmo de expansão do segmento. Já a consultoria IHS Markit revelou uma recuperação marginal da atividade do setor, com os números indicando uma retomada de novas encomendas. O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) avançou a 51,6 pontos em novembro, ante 50,6 pontos da leitura anterior.

Conforme divulgou o Departamento de Trabalho dos EUA, a geração de empregos no setor privado em novembro ficou em 266 mil novos postos, a máxima desde janeiro, e a taxa de desemprego oscilou para 3,5%, o menor patamar em 50 anos. Os números foram impulsionados pela retomada do trabalho após uma greve de trabalhadores da General Motors (GM).

Na China, foi divulgado pela agência Caixin/Markit que o PMI de serviços avançou para 53,5 pontos em novembro, ante 51,5 em outubro. Já o PMI composto da indústria e serviços subiu de 52,0 pontos em outubro, para 53,2 pontos em novembro, o maior nível em 21 meses.

Na zona do euro, destaque para as manifestações populares na França contra a reforma da previdência. Antes mesmo de serem conhecidas alterações a serem propostas, alguns serviços essenciais foram paralisados devido a greves.

A agência IHS Markit divulgou que o PMI para a zona do euro continuou a sinalizar crescimento marginal do setor privado. O índice permaneceu em 50,6 pontos no mês de novembro, repetindo a leitura de outubro.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de movimentos mistos. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -0,52 e o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu -1,45%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 0,16% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, avançou 0,26%.

Por aqui, foi divulgado pelo IBGE que o PIB do terceiro trimestre avançou 0,6%, uma leve recuperação diante do crescimento do segundo trimestre, que teve o número revisado para 0,5%. O número foi puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento privado. Em relação ao terceiro trimestre de 2018, o crescimento foi de 1,2%. Embora em ritmo ainda fraco e mais lento do que se esperava, o número deve ser comemorado.

Do lado dos preços, o IBGE divulgou que o IPCA, índice que mede a inflação oficial do Brasil, cresceu 0,51% em novembro, ante 0,10% n o mês anterior. O número foi o maior para o mês de novembro desde 2015. O acumulado do ano foi para 3,12% e o dos últimos doze meses, para 3,27%. A dispersão do índice foi generalizada, com sete dos nove grupos pesquisados em alta. Destaque para o grupo de Despesas Pessoais, com alta de 1,21%, e Alimentação e Bebida, com alta de 0,72% e peso relevante no índice.

Para a bolsa brasileira a semana foi de recuperação e recordes. O Ibovespa avançou 2,67% na semana, aos 111.125 pontos, acumulando valorização no ano de 26,44% e 26,11% em doze meses. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 4,146 na venda, o menor nível desde 11 de novembro. Na semana, a moeda norte-americana recuou 2,25%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de -1,05%, acumulando ganhos no ano de 21,80%.

 

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro aumentaram, pela quinta semana consecutiva, a estimativa para o IPCA deste ano para 3,84%, registrando uma alta em relação às previsões da semana passada, que estava em 3,52%. A projeção reflete uma maior preocupação sobre a pressão do aumento de custos sobre os preços de produtos e serviços. Para 2020 a estimativa foi mantida em 3,60%. O resultado continua abaixo da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,25%, e do ano que vem de 4,00%.

Para a taxa Selic, o mercado financeiro manteve suas apostas em relação à taxa de juros, informando que ao final de 2019 a taxa estará em 4,50%, mesma taxa da semana anterior. Para 2020, a previsão também foi mantida em 4,50%. Para 2020, o Top 5, grupo formado pelas instituições financeiras que mais acertam as previsões, projeta a Selic em 4,00% ao ano.

A projeção do mercado para o PIB de 2019 subiu nesta semana. A expectativa de crescimento da economia este ano passou a ser de 1,10%, ante 0,99% da semana anterior. Há quatro semanas, a estimativa de alta era de 0,92%. Para 2020, o mercado financeiro revisou a previsão de expansão do PIB para 2,24% ante 2,22% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,08%. Em setembro, o Bacen atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 0,8% para elevação de 0,9%.

A projeção para o dólar no fim de 2019 foi alterada para R$ 4,15, ante R$ 4,10 da semana anterior. Para o próximo ano, a projeção para o câmbio foi ajustada de R$ 4,01 para R$ 4,10.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2019 foi mantida em US$ 75,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 80,00 bilhões. Para 2020, a expectativa foi mantida em US$ 80,00 bilhões, os mesmos US$ 80,00 bilhões de um mês antes.


 

Perspectiva

Entre os principais destaques da agenda desta semana estão as reuniões dos bancos centrais dos EUA, Europa e do Brasil, que decidirão sobre as taxas de juros locais. Nos EUA, os dados relativos ao mercado de trabalho, divulgados na sexta-feira, devem nortear os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) sobre o futuro do juro norte-americano. A expectativa é de que os dados confirmem o cenário de reaquecimento da economia local, e a manutenção do juro é o cenário mais provável.

Já o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) também se reunirá nesta semana, e o consenso do mercado é pela redução de 0,50 pontos bases, trazendo a Selic a 4,50% ao ano, apesar das recentes pressões de preços sobre a inflação corrente, sendo o mais provável que o comunicado pós-reunião deixe em aberto os movimentos futuros do comitê.

Na zona do euro, o banco central europeu (BCE, na sigla em inglês) deverá manter uma política de expansão monetária, após sinais recentes de que a economia da região está atingindo seu nível mínimo.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs a alocação sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da resolução CMN nº 3.922/2010 conforme alterada, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfólio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.


* Aos clientes que investem em FIDC / Crédito Privado / Fundo Debênture, utilizar como limite máximo o percentual destinado ao Médio Prazo.

** Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição de 15% aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários -06/12/19


Índices de Referência -Novembro/2019