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Consultoria em Investimentos

NOSSA VISÃO - 29/06/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco devolveram boa parte dos ganhos recentes, com os investidores em alerta devido à reaceleração do contágio pelo "coronavírus", na medida em que a reabertura das economias avança em algumas regiões do planeta trazendo algum alento para a recuperação econômica global. Com isso, alguns países decidiram dar um passo atrás na flexibilização social, voltando a fechar escolas e comércio, especialmente em algumas regiões dos EUA como do Texas e da Flórida.

O Fundo Monetário Internacional - FMI divulgou o relatório "Panorama Econômico Global", anunciando que o bloqueio do comércio provocado pela pandemia teve um impacto mais negativo na atividade do primeiro semestre do que o inicialmente previsto, e de maneira geral piorou as estimativas que haviam sido previstas em abril.

O relatório revelou que a expectativa para o PIB mundial piorou de uma contração de -3% para -4,9% neste ano. Para 2021, o organismo projeta uma expansão de 5,4% do PIB mundial, admitindo que o impacto adverso para a população seja dramático, e que o avanço na redução da pobreza extrema global desde os anos 1990 está comprometido.

O Departamento de Comércio dos EUA divulgou, em terceira leitura, que o PIB do primeiro trimestre recuou -5% anualizado, enquanto os gastos com consumo, que representam 70% do PIB nos EUA, tiveram contração de -6,8% no trimestre. O órgão também divulgou que o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 1,3% no primeiro trimestre, enquanto o núcleo do PCE, que exclui alimentos e combustíveis, ficou em 1,7%.

Em relação à atividade após a abertura gradual do comércio, a leitura preliminar do Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) composto dos EUA ficou em 46,8 pontos em junho, ante 37 pontos registrados em maio. O resultado, bastante positivo, ainda se encontra abaixo dos 50 pontos, que separam crescimento de retração econômica.

Na zona do Euro, a leitura do PMI também reflete a reabertura da economia em várias regiões do velho continente. O PMI preliminar composto divulgado pela IHS Markit se recuperou a 47,5 pontos em junho de 31,9 pontos em maio, aproximando-se da marca de 50 que separa crescimento de contração. Em abril ele havia atingido a mínima recorde de 13,6 pontos.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de baixas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -1,96%, e o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -2,12%, o índice SP 500, da bolsa norte-americana, caiu -2,86% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 0,1%.

Por aqui, destaque para a divulgação da ata da reunião do Copom que reduziu a taxa Selic para 2,25% ao ano. No documento, o colegiado reiterou o recado dado no comunicado pós-reunião, de que "eventual ajuste futuro na Selic será apenas residual", ou seja, não confirmou nem descartou novo movimento.  Também foi divulgado o Relatório Trimestral de Inflação - RTI do Bacen, que passou a prever uma queda de -6,4% no PIB para este ano, com inflação na casa dos 2%, bem abaixo do centro da meta que é de 4,0%.

Em relação à atividade, a FGV revelou que o Índice de Confiança do Consumidor - ICC subiu 9,0 pontos em junho, para 71,1 pontos, devido à melhora da percepção da economia no curto prazo. Em maio, o índice havia subido 3,9 pontos. No entanto, a alta recente do índice não recompõe nem a metade das perdas observadas nos meses de março e abril. As expectativas em relação à economia parecem influenciadas por uma esperança de que a flexibilização das medidas de isolamento social leve a uma melhora das condições do mercado de trabalho.

O IBGE divulgou que o IPCA-15 de junho, considerado a prévia da inflação do mês, avançou 0,02%, após ter registrado deflação de -0,59% em maio. No ano, o índice acumula alta de 0,37%, e em 12 meses, de 1,92%. O grupo Transportes foi responsável pela menor variação do índice (-0,71%), enquanto o grupo Alimentação e Bebidas foi o destaque na alta (0,47%). 

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, acompanhando os movimentos das bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana recuando -2.83%, aos 93.834 pontos, acumulando valorização de 7,36% no mês, e desvalorização de -18,86% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,465 para a venda. Na semana, a moeda avançou 2,76% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 36,19%. Já o IMA-B Total encerrou a semana avançando 0,01%, enquanto no mês acumula alta de 1,23% e no ano desvalorização de -2,45%. Em 12 meses a valorização é de 4,56%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram a tendência e reviram as estimativas para a inflação deste ano, ainda em meio à economia doméstica fragilizada. Nesta semana, as previsões para a inflação foram ajustadas para cima, revelando que a expectativa é de que o IPCA encerre o ano em 1,63%, ante 1,61%. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 1,55%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,00%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,10%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado estima um novo corte da Selic na próxima reunião do Copom, em agosto, para 2,00% ao ano, o que implicaria em uma redução de 0,25 ponto percentual frente ao atual patamar. A nova estimativa veio após a divulgação da ata da última reunião, que sinalizou um provável ajuste residual na Selic. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 3,00%. Há quatro semanas a estimativa era de 3,10%. 

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado "top 5", as estimativas para a taxa Selic ao final do ano foram ajustadas para 2,00% na mediana das coletas, uma previsão de corte adicional de 25 pontos bases até o final do ano, ante taxa de 1,75% da estimativa semanal anterior. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,25% na mediana das coletas, mesma previsão da semana passada.

Após os analistas do mercado reduzirem suas expectativas para o tombo da economia em 2020, na semana passada, para -6,50%, a expectativa para a economia este ano passou para uma retração de -6,54%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -6,25%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,50%. Quatro semanas atrás, estava nos mesmos 3,50%. Este mês, o Bacen atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de variação zero para retração de -6,4%.

O relatório mostrou que a projeção dos economistas para o câmbio ao final de 2020 foi mantida em R$ 5,20. Um mês atrás a projeção era de R$ 5,40. Para 2021, a projeção para o câmbio também foi mantida em R$ 5,00. Um mês atrás a projeção para o câmbio era de R$ 5,08.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 57,50 bilhões, ante projeção de US$ 60,00 bilhões semana passada, enquanto que para 2021 a expectativa foi alterada para US$ 72,50 bilhões, uma redução ante aos US$ 75,00 bilhões estimados há sete dias. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 64,00 bilhões e US$ 75,00 bilhões, respectivamente.



Perspectiva

Os mercados de riscos seguem pautados pela expectativa quanto aos impactos da pandemia pelo "coronavírus" na economia mundial. Há sinais concretos de recuperação da atividade em diversas regiões do planeta que podem levar a recuperação dos mercados depois de uma semana operando no vermelho. Entretanto, o aumento do número de novos casos em várias regiões que reduziram as regras rígidas de distanciamento social coloca pressão nas expectativas. Por outro lado, o mercado toma ânimo adicional com a possibilidade de uma vacina em um estágio avançado de testes pelo grupo farmacêutico chinês China National Biotec Group.

Por aqui, destaque para a votação na Câmara dos Deputados da emenda constitucional que adia as eleições municipais para novembro. O Presidente da casa, Rodrigo Maia, tenta acordo com o "centrão" para retomar a votação.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação do PMI de junho, além da divulgação da Produção Industrial de maio, número a ser acompanhado de perto após a queda de 18,8% reportada no mês de abril. Também será revelado o IGP-M de junho, que deverá mostrar aumento nos preços diante da maior tração da economia após a reabertura do comércio em várias regiões do país.

O mercado também segue atento aos eventos econômicos externos. Na agenda da semana está programada a divulgação do relatório de emprego (payroll) dos EUA, dado que tem sido visto como relevante para balizar o cenário de recuperação da economia norte-americana. Ainda por lá, o Federal Reserve (FED, na sigla em inglês) publica a ata da última reunião do comitê de política monetária (FOMC, na sigla em inglês) que manteve a taxa básica de juros inalterada por lá.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em "quarentena" esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.


* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diários - 26/06/2020


Índices de Referência - Maio/2020