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NOSSA VISÃO - 09/11/2020

RETROSPECTIVA

A primeira semana de novembro foi pautada em torno do evento mais importante e aguardado das últimas semanas, as eleições americanas, que se manteve indefinida ao longo de toda semana, mas que já indicava Joe Biden como o provável vencedor. Por aqui, o foco permaneceu no exterior aliado a proximidade das eleições municipais juntamente com a divulgação dos dados industriais.

O mundo ficou atento as eleições americanas, que por sua vez bateu o recorde de participação popular. O processo de eleição foi conturbado dado o recorde de votos e a grande quantidade de votos por correio. 

De acordo com isso a disputa acirrada entre Trump e Biden pautou os mercados. Já era de se esperar que nenhum dos candidatos reconheceria a vitória do oponente e que poderia ir para a justiça, expectativa que já era o temor preocupante para os mercados desde o início.

A judicialização do processo eleitoral também preocupava de acordo com o fato de nenhum candidato disparar na liderança. As acusações de fraude promovidas por Trump, reforça o cenário de que o final do ano poderá conturbado tendo em vista que nunca um presidente americano se recusou a sair do poder. 

Destaque também para o payroll nos Estados Unidos, com a criação de vagas nos setores público e privado que vieram acima do esperado. A taxa de desemprego também caiu para 6,9% em outubro, depois de setembro com 7,9%. O déficit da balança comercial em setembro caiu 4,8%, indo para US$ 63,9 bilhões. Um dado negativo foi a expansão da contaminação pelo covid-19, que ao final da semana já mostrava aproximadamente 120.000 contaminados por dia. 

Na Ásia os mercados seguem no positivo, ainda mais com Joe Biden como provável vencedor das eleições americanas, que acaba por elevar o humor dos investidores e elevar as negociações nas bolsas da região asiáticas, ao final da semana o índice Hang Seng, bolsa de Hong Kong, fechou em alta de 3,25%, o índice Xangai, China, ficou em alta de 1,30% e Nikkei 225, bolsa de Tóquio, ficou em alta de 1,73%.

A Europa ainda enfrenta um novo aumento nos novos casos de infectados pelo Covid-19, com o número de mortes mais alto desde abril. Como forma de conter a contaminação acelerada, diversos países decretaram novas restrições sociais. Além de controlar o número de pacientes em estado grave, os novos isolamentos sociais em novembro, podem ser considerados como uma tentativa de salvar o Natal em dezembro, festa importante para impulsionar as vendas do varejo e auxiliar a economia por lá. 

Por aqui, última a ata do Copom mostrou o BC pouco preocupado com a alta da inflação no curto prazo, deixando ainda a porta aberta para quedas, mesmo que poupo provável, uma vez que já se projeta uma alta no juros futuro, mas faz adendo sobre a política fiscal e a necessidade de perseguir reformas. Ainda referente ao Banco Central, o Senado aprovou a autonomia do mesmo, que segue agora para votação na Câmara, onde pode ser modificada.

Tivemos também, a divulgação da produção da indústria nacional, que avançou 2,6% em setembro, na comparação com agosto. É a quinta alta mensal seguida, eliminando as perdas de 27,1% acumuladas em março e abril, quando o setor registrou o patamar mais baixo devido ao distanciamento social adotado para controle da pandemia. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada IBGE.


RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 3,02% para 3,20%. Para 2021, a previsão para o IPCA subiu de 3,11% para 3,17%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de -4,81% para -4,80% este ano. Para 2021, a estimativa saiu da alta de 3,34% para uma alta menor de 3,31%. As projeções permaneceram em alta de 2,50% para 2022 e 2023.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar permaneceu em R$5,45 para este ano. Para 2021, a projeção permaneceu em R$5,20. Já para 2022, a projeção ficou R$5,00 e ficou em R$4,94 em 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, ficou em 2,75%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e 6% em 2023.



PERSPECTIVA 

As próximas semanas devem ser marcadas pelas ações tomadas pelos investidores em relação ao resultado das eleições americanas, resta apenas saber se haverá desdobramentos decorrentes da judicialização do resultado, porém o mercado já começa a precificar os ativos de risco com Biden no poder. 

A partir disso, um governo comandado por Biden deve ser mais positivo com relação aos países emergentes e aliviar tensões em relação a China, diferentemente de como era com Trump. Biden anunciou durante as eleições, que se ganhasse, voltaria ao acordo ambiental de Paris, caso concretizado, deve-se melhorar a relação com a Europa. 

Com um cenário do governo americano dividido, tendo maioria Republicana no Senado e maioria Democrata na Câmara, projeta-se um quadro de estímulos fiscal mais equilibrado, porém ainda atuante, somado ao cenário de taxa de juros muito baixas por longo tempo, espera-se um cenário de enfraquecimento do dólar frente as bolsas de países emergentes.

Reflexos que já começamos a sentir, aliado a notícia positiva sobre as vacinas da farmacêutica americana Pfizer, que obteve sucesso na terceira fase de testes, a taxa de câmbio já começou a apreciar, com o dólar tendo queda de aproximadamente 6% na semana. 

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada. 

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que segue acelerando e que tem impactos significativos já no curto prazo.

A partir de uma visão do Banco central onde passa a ideia de que as condições continuam essencialmente as mesmas sem mudanças no quadro fiscal e que aceleração da inflação seria temporária, como principal consequência a taxa de juros pode ficar baixa por mais tempo. 

O que se observa são as taxas de juros prefixadas de vencimentos mais longos acabam ficando igualmente impressionadas em níveis mais elevados, sendo a compensação exigida pelos investidores pelo fato de eventualmente a Selic ao nível de hoje estar errada e precisar ser corrigido no futuro para cima. O que nos faz entender que certos segmentos não atraem devido ao prêmio pago e podem gerar volatilidade e risco aos portifólios. 

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Logo, segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e que agora vem acontecendo nos últimos 2 meses, são as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional - Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, alteramos a estratégia de alocação para 10% ante a 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. 

Os demais recursos mantenham-nos em "quarentena" esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.



* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diários - 06/11/2020



Índices de Referência - Outubro/2020



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