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NOSSA VISÃO - 22/03/2021

RETROSPECTIVA

Semana marcada pela decisão do Banco Central do Brasil em elevar a taxa básica de juros em 0,75bps, levando a Selic ao patamar de 2,75%, utilizando da política monetária como instrumento para conter o avanço inflacionário. 

O processo inflacionário no Brasil demonstra constante evolução desde meados de 2020, fruto do estímulo monetário realizado para combater a pandemia do novo coronavírus, aliado a taxa básica de juros do país na mínima histórica. 

Logo, as medidas monetárias e fiscais de caráter expansionistas realizadas em 2020, respingaram em 2021, onde puderam finalmente ser sentidas e registradas pelo IPCA, índice usado como inflação oficial, que já vinha sido antecipadas pelo IGP-M. 

Como resposta direta para a ascensão da curva de inflação, que vem superando o centro da meta para o ano, a medida monetária mais conservadora era de extrema importância para evitar a perda de ancoragem em relação as expectativas de inflação para os próximos períodos e a manter a credibilidade do Bando Central.

Nos Estados Unidos, as tensões com a China voltaram ao foco, por parte dos americanos, foram aplicadas sansões contra as autoridades de Hong Kong, pelo lado Chines, a compra de petróleo em maior escala, foi direcionada ao Irã e Venezuela, como forma de afronto aos americanos. 

Ainda por lá, a grande volatilidade dos mercados está relacionada com a alta nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro americano, os Treasuries.  As taxas chegaram a atingir 1,6% ao ano.

A alta das Treasuries, é um reflexo das expectativas dos investidores de que a inflação se desequilibre e se torne uma ameaça direta para a economia americana, ao ponto em que a atividade se recupera com o avanço das campanhas de imunização e do novo pacote de estímulos fiscais. 

Na Europa, a semana apresentou um sentimento de cautela, devido a alguns países desacelerarem em relação a imunização da população, o atraso promovido pelas farmacêuticas, leva a países como a França, a impor novos bloqueios regionais.

Em Portugal, o governo liberou as creches, escolas, salões de beleza, cafés, entre outros. Por outro lado, na Itália, Mario Draghi determinou novas medidas restritivas para algumas regiões.

Por fim, no início da semana, a Alemanha, França e Itália paralisaram o uso da vacina da AstraZeneca, com a preocupação de que pudesse estar ligeiramente ligada à formação de coágulos no sangue.

No Reino Unido, a preocupação com a vacinação mais lenta também é realidade e afeta os mercados por lá, mesmo com o processo de abertura já iniciado.

Na Ásia, os mercados seguiram sem uma clara direção, o maior foco gira em torno da relação com os Estados Unidos, onde ambos países seguem rejeitando as políticas comerciais propostas e novamente criando um clima de tensão nos mercados.  

Em resumo, o Ibovespa fechou a semana em alta de 1,80%, na contramão da queda do Dow Jones em (0,45%) e Nasdaq (0,78%). O Dólar fechou em queda de (1,34), apreciando o real. 


RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções saíram de 4,60% para 4,71%. Para 2022, a previsão para o IPCA saiu de 3,50% para 3,51%. Para 2023 e 2024, as estimativas ficaram em 3,25%.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) saiu de 3,23% para 3,22% em 2021. Para 2022, a estimativa ficou em 2,39%. Para 2023 e 2024, as projeções permaneceram em 2,50%.

A taxa de câmbio ficou em R$5,30 para 2021. Para 2022, a taxa saiu de R$5,20 para R$5,25. Para 2023 e 2024, a projeção ficou em R$5,00.

Para a taxa Selic, os analistas elevaram de 4,50% para 5,00% em 2021, elevaram de 5,50% para 6,00% em 2022. Para 2023 e 2024, a projeção é de 6%.



PERSPECTIVA

As perspectivas se mantem as mesmas da semana anterior, os temas seguem proporcionalmente os mesmos, agora com o foco nos efeitos nas decisões tomadas pelo BC. 

Ainda devemos observar os efeitos da decisão de Fachin em relação ao Ex-Presidente Lula, segue sendo muito cedo para especular sobre a decisão no longo prazo, mas tal discussão já antecipa a tensão para as eleições de 2022.

Entretanto o debate no mercado se concentra também nas possíveis reações de Jair Bolsonaro, que pode escolher o caminho de realizar atitudes mais populistas para tentar ter força para a eleição de 2022.

Teremos agora que acompanhar as decisões do Bancos Centrais em relação a política monetária, que indica seguir com medidas contracionistas, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia. 

Podendo se esperar mais mudanças na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central. 

Devemos observar também, o desenrolar da PEC emergencial, que com texto aprovado, deve começar a impactar o país, seja devido ao auxílio, ou por outros temas relacionados ao texto.

A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido. O que tudo indica é auxílio emergencial menor e por cerca de quatro meses, como o mais indicado, sendo preciso ainda observar a PEC emergencial.

Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial, mesmo atrasado, o país segue tentando cumprir o plano estipulado.

A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado e brusco na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação acelerada e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Agora com a sinalização do Relatório Focus indicando uma aceleração do índice para os próximos períodos.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. 

Os sinais de abertura na curva de juros, demonstrada pelo aumento da taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo, aliada ao fato que acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro de 2020, com as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas, indica a pressão sobre a Selic.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional - Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 5%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 5%, recomendamos a não movimentação no segmento. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

      

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diário - 19/03/2021



Índices de Referência - Fevereiro/2021


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