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NOSSA VISÃO - 26/04/2021

RETROSPECTIVA

Semana marcada por uma maior oscilação nos mercados acionários no mundo, tendo como principal motivador a falta de gatilhos que impulsionassem os índices globais a superar as máximas históricas alcançadas recentemente.  

Ante a bons resultados do primeiro trimestre, era natural que houvesse movimentos de realização de lucros na semana, mesmo com a melhora da perspectiva econômica, com os bons resultados nos Estados Unidos, China e em parte da Europa. 

Porém o fator que acabou pesando de maneira negativa nos mercados, foi a percepção de intenção de elevação dos impostos nos Estados Unidos, que seria o escape para financiar o programa de investimento para infraestrutura anunciado por Biden. 

Mesmo a intenção de elevação dos impostos não sendo novidade, já que estava presente no projeto de infraestrutura divulgado, a intenção se fez mais clara em um ambiente de muito otimismo, devido as perspectivas de crescimento acima da média, e de certa forma, mostrou que os mercados negligenciaram esse fator de risco, mas que tal circunstância não deve promover desordem.

Porém as previsões dadas pelos analistas, terão que ser revisadas e uma nova projeção contemplando os reais impactos dessa medida e as possíveis consequências caso essa ação se concretize deve ser modelada, como forma antecipadora dos acontecimentos, os mercados estabeleceram novos preços de equilíbrio. 

Em relação a pandemia, a Covid-19 segue sendo o principal fator de expectativas ao redor do mundo, onde países que mentem uma agenda de vacinação acelerada podem se projetar economicamente, e os países mais atrasados sofrem com as medidas restritivas e os problemas sanitários. 

Em relação ao Brasil o país se manteve no 3º lugar no ranking pela plataforma do Johns Hopkins. São 14,3 milhões de casos confirmados, sendo que o número de mortes está em 391 mil. São 12,6 milhões pessoas recuperadas, dados do fechamento de 26/04.

Por aqui, Jair Bolsonaro sancionou com vetos na quinta-feira (22) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021, com cortes de quase R$ 30 bilhões. 

Com veto definitivo de R$ 19,8 bilhões de dotações orçamentárias, sendo R$ 10,5 bilhões em emendas de relator, R$ 1,4 bilhão em emendas de comissões do Congresso e R$ 7,9 bilhões em despesas discricionárias do Executivo.

Houve também, o bloqueio adicional de mais R$ 9 bilhões, que não foram detalhados pela Secretaria-Geral da Presidência e podem ser desbloqueados até o fim do ano.

O rombo estimado nas contas públicas é R$ 247,1 bilhões em 2021, além dos gastos fora da meta fiscal, que podem superar mais de R$ 100 bilhões.

Pelas alterações, vão ser bancados com crédito extraordinário cerca de R$ 20 bilhões para enfrentamento da Covid-19; R$ 10 bilhões para renovação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) e mais R$ 5 bilhões para o Pronampe, linha de crédito para socorrer pequenas e médias empresas.

Em resumo, na semana tivemos o recuo da Bovespa em (0,48%), Dow Jones (0,45%) Nasdaq (0,25%) e do em Dolar (1,52%).


RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção subiu de 4,92% para 5,01%. Para 2022, a previsão para o IPCA ficou em 3,60%. Para 2023 e 2024, as estimativas ficaram em 3,25%.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) finalmente volta a subir e sai de 3,04% para a 3,09% em 2021. Para 2022, a estimativa ficou em 2,34%. Para 2023 e 2024, as projeções ficaram em 2,50%.

A taxa de câmbio ficou em R$5,40 para 2021. Para 2022, o valor saiu de R$5,26 para R$5,40. Para 2023, a projeção saiu de R$5,00 para R$5,17. Para 2024, o valor também saiu de R$5,00 para R$5,08.

Para a taxa Selic, os analistas elevaram de 5,25% para 5,50% em 2021, a estimativa saiu de 6,00% para 6,13% para 2022. Para 2023, a projeção foi mantida para 6,50% e saiu de 6,25% para 6,50% em 2024.



PERSPECTIVA

Para a semana que entra, o calendário de balanços segue sendo um dos do o principal focos do nosso mercado, mais de 20 balanços serão divulgados e os resultados prometem movimentar os mercados nacionais.  

Com a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 aprovada, o impasse no congresso é cessado por enquanto, porém o cabo de guerra parece não ter terminado ainda. 

As expectativas positivas em relação ao Brasil, passam por um processo de imunização mais eficiente, e ao que parece, podemos estar próximos dessa aceleração.

Teremos agora que acompanhar as decisões do Bancos Centrais em relação a política monetária, que indica seguir com medidas contracionistas, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia. 

Podendo se esperar mais mudanças na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central. 

Devemos observar também, o desenrolar da PEC emergencial, que já em vigência aumenta o poder de compra dos consumidores e pode impactar a inflação de curto prazo. 

A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido. 

Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial e agora com possível produção nacional com a ButantanVac.

A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado e brusco na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação acelerada e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Agora com a sinalização do Relatório Focus indicando uma aceleração do índice para os próximos períodos. 

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. 

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional - Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 5%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 5%, recomendamos a não movimentação no segmento. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

     

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diário - 23/04/2021



Índices de Referência - Março/2021


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